Passei o meu dia em praxes, cheguei a casa com o cabelo cheio de ovos, farinha e ketchup. Sem voz, com dores no corpo, jantar. E passei o fim-de-semana em Évora, a aprender truques de magia e limpar frigoríficos.
Sinto-me calma, segura. Vai correr tudo bem: o meu desejo de aniversário está a realizar-se!
«Ah, em Alcoitão não há praxes, o director proibiu este ano...»
Besta nãoseiquantas, tais dentes, do curral de sítio, acasalada/não acasalada.
Pinturas corporais, "unhas".
Caloira mistério, a voz tem uma missão para si. Engraçado, que eu era a única moça que não fazia a mínima disto:
Entra no écran.
Os teus segredos, pela noite dentro.
Eu quero ver-te no meu écran.
Na Casa dos Segredoooos.
Mousse de chocolate, pouca pontaria de um rapaz lindo que eu tenho a certeza que é gay, ou talvez seja trauma. Músicas, gritos, filinha pirilau, quáquá pum, jogo das cadeiras, coisas engraçadas.
Nós somos cinco putas, cinco prostitutas deste cabaré olé olé!
Muita gente, caras novas. E no meio dos olhares diferentes, os antigos, cúmplices. Quando me cruzava com aquelas pessoas, percebia as saudades que sentia de estar ali com elas.
As saudades que sentia daquela energia, de um timbre completamente diferente. Ao início é estranho, mas é exactamente: primeiro estranha-se, depois entranha-se. Torna-se uma parte do nosso ser, com a qual é sempre saboroso reencontrarmo-nos. Como um voltar a casa, lar doce lar, a nossa cama, podermos andar sem soutien e sem vergonha. Respirar. Liberdade. Pertencer.
Hoje senti que pertencia ali. Não senti ansiedade. Olhei para o lado e vi gente nova "fora de si". Adorei. Deitada no chão de madeira, ofegante, olhos fechados, tensão nos músculos, inspiração a quatro tempos, expiração com som, espreguiçar à gato, roda.
Soube tão bem :)
Prometo a mim mesma que este mês (ou no próximo, vá) vou passar um fim-de-semana a Évora!
Uma música na minha mente:
Para finalizar, não me importo minimamente de ter comprado um chocolate para beber um copo de água, nem de ter perdido um comboio de propósito e um comboio sem querer. Cresci mais numa hora do que em semanas da minha existência. Percebi-te/me. Obrigada pela partilha.